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Diamantina é uma terra de histórias.
A Bat-Caverna é uma dessas típicas histórias diamantinenses tão
conhecidas pelo país afora. Uma história marcada pela vitória do
improvável, como a de Xica da Silva, impregnada de suor como a dos
escravos, cravada de fé como a dos garimpeiros, permeada de sucesso como
a de JK.
Originada em encontros intimistas de inquietos jovens diamantinenses, em
um porão barroco de um bar na Rua do Rosário, a Bat-Caverna fez, desse
local improvável, o seu batismo para seguir a vida celebrando a amizade
e a alegria por meio da música, fazendo da cadência harmoniosa do samba
o combustível para sempre seguir em frente.
O tempo e os ares tijucanos transformaram a idéia intimista inicial num
projeto audacioso de compartilhar sentimentos verdadeiros – traço típico
dos diamantinenses – por meio da música, no melhor Carnaval de Minas,
por onde passa grande parte do país deixando e, principalmente, levando
emoções.
Assim, e não por acaso, a metamorfose para os palcos aconteceu nas
capistranas profanas do Macau, sob olhares auspiciosos de Juscelino, por
entre as janelas austeras do Fórum e a escadaria pródiga da Igreja de
São Francisco. Não havia como falhar... E não falhou!
Hoje, como um pelourinho de punição à tristeza, a Bat-Caverna açoita o
Carnaval da Praça do Mercado com sagacidade, entusiasmo e ousadia,
criando um quilombo de diamantinidade, esse sentimento que só quem
vivenciou sabe o que é, mas não consegue explicar, apesar de fazer
questão de dividir com todos à sua volta.
Construído por mais de 150 diamantinenses – de nascimento, de alma ou de
contemplação – o democrático palco da Bat-Caverna ilumina-se por uma
bateria vigorosa, que ecoa nos corações e estremece as almas,
resplandecendo, em suas vozes, a amizade, a alegria e a espontaneidade
que são sua essência. A batida marcante da Bat é compassada no ritmo dos
corações desses diamantinenses; heróis anônimos que transformam vigor
físico em pura emoção.
A percussão peculiar da Bat-Caverna imprime marca indelével e
carismática em sucessos recorrentes nas festas brasileiras, criando
versões inusitadas para músicas que não habitam normalmente o Carnaval e
potencializando o samba para levar e elevar a multidão que marca seus
shows.
Assim, por entre as serras de Minas, a Bat navega compassadamente por
músicas tão díspares como o Domingo Sangrento do U2 e a descompromissada
festa baiana, aportando no samba de raiz e alçando vôo com o Balão
Mágico. A viagem prossegue fascinante a bordo do Ita, explodindo
corações rumo à intensa história de amor do Taj Mahal, para finalmente
brindar a mineira Saideira, pois o bom é viver como Gonzaguinha, sem
vergonha de ser feliz, cantando a beleza de ser um eterno aprendiz!
Essa é, seguramente, a história que está prensada nesse CD. Uma história
de diamantinidade e de como esse sentimento pode transformar um pequeno
grupo de amigos em um pólo irradiador de amizade e alegria por esse
mundo afora.
Bate, Bat-Caverna!!!! Bato palmas pra você! De pé!
Márcio Couto (Picolé) - dezembro de 2009 |